Sustentabilidade deixou de ser marketing e virou sobrevivência, avalia executiva da Bradesco Seguros
- 31/10/2025
A cada tempestade, o Brasil testa os limites de sua capacidade de resposta. As enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul, em 2024, se transformaram na maior operação de assistência da história do setor securitário brasileiro, com volume de indenizações superior a R$ 100 milhões apenas da Bradesco Seguros. Em meio à destruição, uma questão ganha força: como transformar o seguro em instrumento de resiliência climática num país que ainda não se planeja para desastres que se repetem com frequência?
“O nosso trabalho começa muito antes do desastre. O antes, o durante e o depois fazem parte da rotina de quem quer proteger pessoas e patrimônios”, enfatiza Ivani Benazzi de Andrade, superintendente de Sustentabilidade da Bradesco Seguros. Segundo ela, o primeiro passo é sempre o da prevenção. “No Brasil, a expansão dos seguros ainda é baixa. As pessoas não compreendem o quanto é importante ter proteção, seja de vida, seja residencial. A conscientização é parte do cuidado preventivo.”
Entre as ações, Ivani destaca programas de educação em seguros, escritórios de orientação a clientes e serviços de checkup residencial, que monitoram riscos elétricos, hidráulicos e estruturais. “Quando você cuida do seu patrimônio, não está apenas garantindo o seguro, mas prevê o risco de perda total”, explica.
Mas é durante as crises que a Bradesco Seguros coloca à prova sua capacidade de resposta. Em menos de uma semana após o início das enchentes no Sul, a seguradora recebeu mais de 400 chamados emergenciais e acionou sua 45ª Operação de Tratamento de Sinistros, mobilizando equipes, guinchos e apoio logístico em cidades como Caxias do Sul, Santa Cruz do Sul, São Leopoldo e Porto Alegre. ” Nosso esforço é eliminar a burocracia e liberar os recursos com rapidez. Quando a vida de uma família está debaixo d’água, o tempo de indenização é o que define o recomeço” , explica Ivani.
O processo pós-evento inclui acompanhamento de assistência e assessoria financeira. A empresa também integrou campanhas com a Defesa Civil e a Europ Assistance, enviando água, colchões e suprimentos às regiões atingidas. A operação gaúcha se soma a uma frente crescente de emergências: desde 2015, o grupo realizou 45 operações especiais para enfrentar catástrofes naturais no Brasil.
A alta frequência desses eventos já formou o portfólio do grupo. De acordo com o Relatório Integrado 2024, mais de R$ 170 milhões foram pagos em indenizações climáticas apenas no último ano. O impacto econômico é gigantesco: o setor estima prejuízos globais de R$ 1,9 trilhão em 2024, sendo o Brasil responsável por R$ 32,8 bilhões em perdas — dos quais menos de 10% foram segurados.
Para enfrentar essa nova era climática, Ivani defende que sustentabilidade e seguros caminhem juntos. “As mudanças climáticas estão afetando a agricultura, a saúde, a alimentação, o trabalho e a economia. Não se trata apenas de reconstruir o que se perdeu, mas de compensar como vivemos”, diz.
A Bradesco Seguros, uma empresa de múltiplos ramos que atua em vida, saúde e patrimônio, vem ampliando o uso de dados de georreferenciamento e inteligência climática para antecipar riscos e ajustar coberturas regionais. No mercado, a companhia também aposta em novos modelos de produtos sustentáveis, integrando metas de ESG à sua governança.
“Sustentabilidade não é mais política de marketing, é estratégia de sobrevivência. Todas as empresas — pequenas, médias ou grandes — precisam incorporá-la em suas decisões. É assim que se cria um sistema de proteção que realmente funciona”, conclui Ivani.
Sobre a Casa do Seguro
A sustentabilidade é a espinha dorsal da “Casa do Seguro”, iniciativa inédita da CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras) para inserir o setor nas discussões da COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que será realizada em Belém (PA).
Além da programação de conteúdo, a “Casa do Seguro” promoverá iniciativas de responsabilidade social, prestigiando a economia e a mão de obra locais. O projeto é ambientalmente responsável e foi desenvolvido dentro dos conceitos de evento neutro e resíduo zero, prevendo ainda uso eficiente de água e energia.
Com o apoio de seus empoderadores –Allianz, AXA, BB Seguros, Bradesco Seguros, Caixa Seguridade, MAPFRE, Marsh McLennan, Porto, Prudential and Tokio Marine – a Casa funcionará em 1,6 mil m² de área útil, acomodando plenária com 100 lugares, seis salas de reunião, business lounges, estúdio para gravação de podcasts, sala de imprensa, espaço de convivência e área para exposições artísticas e apresentações culturais.
