Ministérios das Cidades e da Agricultura reforçam parceria com setor segurador para ampliar proteção, em virtude das mudanças climáticas
- 16/10/2025
Durante a 6ª Reunião do Ciclo de Diálogos Institucionais da Casa do Seguro, realizada em Brasília (DF), representantes dos Ministérios das Cidades e da Agricultura debateram, junto aos principais executivos de sustentabilidade em seguros do país, sobre os desafios para a proteção social e investimentos em face das mudanças climáticas e seus impactos socioeconômicos nas localidades urbanas e rurais.
O secretário executivo do Ministério das Cidades (MC), Hailton Madureira de Almeida, falou dos desafios da transição climática e o papel do setor de seguros na proteção social e nos investimentos. Coube ao Secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), Guilherme Campos, a discussão sobre os impactos dos eventos climáticos para o setor agrícola e o papel do seguro na proteção da produção rural brasileira.
Guilherme Campos enfatizou aos representantes do setor alguns pontos que o MAPA destaca como desafios para a gestão de riscos climáticos. Dentre eles:
- A previsibilidade na execução orçamentária do Programa de Subvenção ao Seguro Rural (PSR);
- Ampliação da dispersão das apólices do PSR e apresentação de produtos personalizados para cada perfil de risco;
- Aperfeiçoamento da rede de peritos e corretores para o público rural;
- Expansão de novos produtos (paramétrico e catástrofes);
- Aprimoramento das validações socioambientais dos riscos e monitoramento das áreas rurais seguradas.
Para o secretário do MAPA, o diálogo com o setor segurador pode atender a algumas demandas do próprio governo federal. “O mundo está mudando, o clima está mudando. E cada vez mais é necessário que nós tenhamos instrumentos para fazer esse enfrentamento. O setor público e o setor privado têm que andar juntos nesse propósito. E, no caso da agricultura, é fundamental que o seguro seja olhado de uma maneira cada vez mais necessária. Nós, do MAPA, estamos em busca de alternativas, de novos processos que venham dar mais segurança para o produtor rural. E isso só vai acontecer em parceria com o setor privado”, destacou.
Já o secretário executivo do Ministério das Cidades apresentou os principais riscos provocados pela crise climática e as políticas às quais o setor segurador pode se atentar:
- Risco de fragilização do direito à cidade, em virtude do mau planejamento para o enfrentamento das mudanças climáticas;
- Aumento do risco de precariedade e inadequação habitacional;
- Risco de redução da qualidade do serviço e do acesso a saneamento básico, além do baixo investimento nesta área.
Em apoio ao interesse do setor para melhoria das cidades, o representante do Ministério das Cidades reforçou que o debate e a parceria com integrantes do mercado segurador não se restrinjam apenas ao enfrentamento climático, mas ao desenvolvimento do país. “A realidade hoje no Brasil é que há mudança climática, não é? Mudou a realidade das cidades: estas estão sofrendo com chuvas intensas, calor intenso, seca intensa, e nossas cidades não estão se preparando para esse novo mundo. E para elas conseguirem isso, há um debate importante: o quanto que o mercado segurador pode ajudar as cidades a estarem preparadas, a estarem seguradas no momento de uma calamidade, de uma chuva muito intensa. Então, há um debate importante aqui, entre Ministério das Cidades e mercado segurador, de como nós podemos tornar as cidades protegidas quando acontecer uma calamidade. E a gente vai continuar esse diálogo nos próximos meses”, informou.
Continuidade do Diálogo
O presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, reforçou durante a reunião a importância de o governo federal se fazer presente com o setor segurador para ampliar os formatos para previsibilidade de incidentes em virtude do clima, especialmente em um ano em que se promove a principal Conferência Climática do Mundo, a COP30.
“As duas pastas do governo federal aqui presentes têm similaridade com o setor de seguros para a previsibilidade de problemas oriundos do clima, pois impactam toda a sociedade produtiva do país. Portanto, é de suma importância que estejamos avançando nessa parceria de temas e ampliando formas de desenvolver a cidade e o campo”, lembrou.
A diretora de sustentabilidade da CNseg, Claudia Prates, enfatizou que o diálogo proposto no encontro promove o que vem sendo aplicado dentro do Plano de Desenvolvimento do Mercado Segurador (PDMS).
“Levar o seguro acessível para comunidades e regiões mais afetadas por mudanças do clima nas cidades é um desses pilares do Plano. Além, é claro, de encontrar formas de ampliar as áreas de cultivo dos alimentos nas localidades rurais e evitar prejuízos. Estes são planejamentos que podem não só ampliar o mercado, mas ajudar a desenvolver e gerar segurança para a sociedade brasileira”, destacou.
A COP30 e o papel do setor de seguros
A COP30 constitui um momento ímpar para demonstrar o protagonismo do país na agenda climática global. Para o mercado segurador, a Conferência é uma oportunidade para o setor reafirmar seu papel estratégico na proteção social e de investimentos, além de destacar suas contribuições na transição para uma economia resiliente e de baixo carbono.
A CNseg, ao organizar a Casa do Seguro, busca reunir autoridades, representantes setoriais e de outros segmentos econômicos para debater desafios e estabelecer parcerias. Esse ambiente permitirá não apenas a discussão da pauta climática, mas também o intercâmbio de experiências e o lançamento de produtos e serviços.
O mercado de seguros chega à COP30 com a responsabilidade de estabelecer um posicionamento inédito em relação ao seu compromisso com a sustentabilidade, particularmente com a agenda do clima.
O objetivo central da CNseg é articular a presença do setor nos acordos e declarações resultantes da Conferência, sendo reconhecido como parte fundamental da solução para os desafios climáticos.
Sobre a Casa do Seguro
A Casa do Seguro está situada em local muito próximo ao espaço oficial da COP30. Além da programação de conteúdo, promoverá iniciativas de responsabilidade social, prestigiando a economia e a mão de obra locais. O projeto é ambientalmente responsável e foi desenvolvido dentro dos conceitos de evento neutro e resíduo zero, prevendo ainda uso eficiente de água e energia.
Com o apoio de seus empoderadores –Allianz, AXA, BB Seguros, Bradesco Seguros, Caixa Seguridade, MAPFRE, Marsh McLennan, Porto, Prudential e Tokio Marine – a Casa funcionará em 1,6 mil m² de área útil, acomodando plenária com 100 lugares, seis salas de reunião, business lounges, estúdio para gravação de podcasts, sala de imprensa, espaço de convivência e área para exposições artísticas e apresentações culturais.
