Sustentabilidade no centro da estratégia: como a Bradesco Seguros se prepara para um futuro mais resiliente
- 31/10/2025
Em um mundo definido por extremos — de seca intensa a chuvas torrenciais, de ondas de calor históricas a desastres naturais cada vez mais frequentes —, a sustentabilidade deixou de ser um tema acessório e passou a ser central na estratégia de qualquer empresa. Nesse cenário, poucas indústrias têm tanta experiência em lidar com a imprevisibilidade quanto o setor de seguros.
É o que destaca Ivani Benazzi de Andrade, superintendente de Sustentabilidade da Bradesco Seguros, ao afirmar que compreender e antecipar riscos faz parte do DNA da atividade seguradora. Segundo ela, essa capacidade analítica coloca o setor em posição privilegiada para apoiar a transição climática e oferecer proteção em tempos de incerteza.
As seguradoras convivem com o inesperado, mas dependem fortemente de dados para construir previsibilidade. O desafio é que, quando o assunto são as mudanças climáticas, as referências do passado já não bastam. “As mudanças climáticas ainda não têm dados completamente consolidados”, observa Ivani. Para ela, é preciso olhar para a frente com base em projeções científicas robustas, como as do IPCC, que preveem aumentos de temperatura e elevação do nível do mar. No Brasil, o avanço de ferramentas de georreferenciamento tem permitido ampliar o olhar sobre o território nacional e compreender melhor os impactos regionais — um passo essencial em um país de dimensões continentais.
A Bradesco Seguros tem apostado na integração entre ciência, tecnologia e parcerias institucionais para aprimorar suas análises. Por meio de iniciativas com universidades e do trabalho conjunto com entidades do setor, como a CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras), a companhia participa do esforço de consolidação de bancos de dados que apoiam a previsão de riscos climáticos. Essas informações não servem apenas para precificar apólices — elas guiam decisões sobre mitigação, prevenção e adaptação. “Precisamos prever como o aumento de temperatura, seja de 1,5°C ou 2°C, agravará situações em diferentes regiões do Brasil”, exemplifica Ivani, lembrando que tais cenários ajudam o setor a oferecer coberturas mais adequadas e serviços mais eficazes.
A transformação, no entanto, vai além do campo técnico. Os impactos das mudanças climáticas atingem de forma ampla a saúde, a economia e o cotidiano das pessoas. Ivani cita estudos que relacionam o calor extremo ao aumento de eventos cardiovasculares e à expansão de doenças tropicais como a dengue — cuja incidência se intensifica em ambientes mais quentes e úmidos. A escassez de água, por sua vez, compromete a produção de alimentos, agrava a desnutrição e contribui para a degradação do solo. “As mudanças climáticas são consequência de um problema maior: o da biodiversidade e do uso inadequado do planeta”, reforça a executiva. O setor de seguros, por seu alcance e base de dados, pode desempenhar um papel decisivo na tradução desses riscos em soluções concretas de proteção e educação ambiental.
Essa abordagem orientada à sustentabilidade também se reflete na atuação institucional da Bradesco Seguros, que faz parte de movimentos internacionais voltados à responsabilidade climática. Ivani integra o Global Steering Committee da UNEP FI — a Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente — e incentiva a adesão aos Princípios para Sustentabilidade em Seguros (PSI), um compromisso global que reúne seguradoras alinhadas à agenda ESG. Esses fóruns permitem a troca de experiências e a adoção de padrões globais de transparência e governança, influenciando positivamente o mercado brasileiro.
Dentro do setor, a CNseg atua com uma comissão de sustentabilidade que estimula práticas responsáveis entre as empresas associadas e busca articulação com reguladores e formuladores de políticas públicas. O objetivo é comum: fortalecer a resiliência econômica e social do país diante dos impactos climáticos. “Quando falamos em ESG — ou ASG, em português —, estamos falando de ambiental, social e governança. O ‘A’ cuida do planeta, o ‘S’ cuida das pessoas e o ‘G’ garante que todos façam sua parte”, explica Ivani. Essa visão sistêmica reforça a interdependência entre o bem-estar humano e a saúde ambiental.
Na prática, o setor de seguros emerge como um agente de transformação. Além de oferecer proteção financeira, ele fornece informações e dados que ajudam outras empresas a se prepararem para os riscos climáticos. Essa troca de conhecimento pode, inclusive, gerar novos modelos de negócio, em que as seguradoras atuam como parceiras consultivas em sustentabilidade corporativa — ampliando sua relevância econômica e social.
A executiva lembra que iniciativas como a COP30 — a Conferência do Clima — demonstram a importância da cooperação entre governos, empresas, sociedade civil e organismos internacionais. “Aqui, todos se unem em prol do enfrentamento das mudanças climáticas”, afirma.
Sobre a Casa do Seguro
A sustentabilidade é a espinha dorsal da “Casa do Seguro”, iniciativa inédita da CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras) para inserir o setor nas discussões da COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que será realizada em Belém (PA).
Além da programação de conteúdo, a “Casa do Seguro” promoverá iniciativas de responsabilidade social, prestigiando a economia e a mão de obra locais. O projeto é ambientalmente responsável e foi desenvolvido dentro dos conceitos de evento neutro e resíduo zero, prevendo ainda uso eficiente de água e energia.
Com o apoio de seus empoderadores –Allianz, AXA, BB Seguros, Bradesco Seguros, Caixa Seguridade, MAPFRE, Marsh McLennan, Porto, Prudential e Tokio Marine – a Casa funcionará em 1,6 mil m² de área útil, acomodando plenária com 100 lugares, seis salas de reunião, business lounges, estúdio para gravação de podcasts, sala de imprensa, espaço de convivência e área para exposições artísticas e apresentações culturais.
